A pergunta que sempre aparece

Toda vez que alguém descobre que o CFO da Sanfarma escreve código, a reação é a mesma:

"Sério? Mas... o que exatamente você programa?"

A resposta não cabe num tweet. Este artigo é a versão completa.

A stack, em camadas

Camada 1 — Dados e Analytics

Tudo começa no PostgreSQL. É onde moram os dados do ERP, da conciliação, da inteligência comercial. Nada de Excel como fonte de verdade — o banco é a fonte, e o Excel é só um formato de exportação quando alguém insiste.

Ferramentas:

  • Python + Pandas: qualquer análise que não seja uma query simples
  • scikit-learn: modelos de ML para inteligência comercial (dormência, recomendação, estimativa)
  • Jupyter: exploração interativa quando estou investigando um padrão novo

Camada 2 — Automação e Integração

Ferramentas:

  • n8n: orquestrador de workflows. Conecta Telegram, PostgreSQL, webhooks. Roda em Docker na VPS.
  • FastAPI: APIs internas. O portal de devoluções, por exemplo, é FastAPI + HTML puro.
  • Playwright: automação de navegador. Quando um banco não tem API, o Playwright resolve.
  • Docker: tudo que é serviço roda em container. A VPS tem Traefik como proxy reverso.

Camada 3 — Infraestrutura

Ferramentas:

  • VPS Hostinger (Ubuntu 24.04): servidor único rodando Docker, n8n, FastAPI, cron jobs e o Hermes.
  • Traefik: proxy reverso com SSL automático. Toda aplicação web ganha HTTPS sem esforço.
  • cron: agendamento de scripts. Conciliação, apuração tributária, inteligência comercial — tudo disparado por cron.
  • Git + GitHub: versionamento de scripts, configurações e projetos pessoais. Nada de "versão final definitiva 2.docx".

Camada 4 — Comunicação e Agentes

Ferramentas:

  • Hermes: meu agente pessoal de IA. Roda na VPS, filtra e-mails, monitora sistemas e me entrega um briefing matinal no Telegram.
  • Telegram: central de notificações. Resultado da conciliação, alertas de sistema, relatórios comerciais — tudo chega aqui.
  • Evolution API: WhatsApp API self-hosted. Para quando a comunicação precisa ser via WhatsApp.

Por que Python para tudo

Sim, eu sei que Go é mais rápido e Rust é mais seguro. Mas Python é a linguagem que me deixa prototipar uma ideia durante uma reunião chata e ter algo funcionando no mesmo dia.

Quando a Sanfarma precisava de um sistema de apuração tributária, eu não tinha 3 meses para desenvolver em Java. Eu tinha uma tarde de sábado. Python + PostgreSQL resolveram.

O que eu não uso

  • Low-code pesado: n8n resolve workflows simples. Para lógica de negócio, é Python.
  • Dashboards bonitos: já tentei. Ninguém abre. Prefiro relatórios de 2 páginas no Telegram.
  • Kubernetes: 3 serviços em 1 VPS não justificam a complexidade. Docker Compose resolve.
  • Frameworks JS: o site é HTML + CSS puro. O portal de devoluções também. Zero React, zero Vue.

A regra para escolher ferramenta

Toda ferramenta na minha stack responde a três perguntas:

  • Ela resolve um problema real de produção?
  • Eu consigo dar manutenção sozinho?
  • Ela continua funcionando se eu ficar 2 semanas sem olhar?

Se a resposta para qualquer uma delas for "não", a ferramenta não entra.