O estado inicial

Quando assumi o financeiro da Sanfarma, a rotina de fechamento mensal durava 12 dias úteis. O processo envolvia:

  • Exportar extratos de três bancos diferentes em PDF
  • Digitar cada lançamento manualmente no ERP
  • Conferir saldos no olho, célula por célula
  • Cruzar com as notas fiscais de entrada impressas

O time financeiro passava a primeira quinzena do mês fazendo trabalho que um script faria em 40 segundos.

A decisão

Eu poderia ter contratado uma consultoria de R$ 80 mil para implementar um módulo de conciliação. Em vez disso, passei três semanas estudando a documentação de OAuth dos bancos e escrevendo um script em Python.

A escolha não foi sobre dinheiro — foi sobre controle. Se eu terceirizasse, cada alteração futura dependeria de um chamado, um orçamento e uma reunião. Escrevendo o código, eu viro a fonte.

O que construí

O pipeline tem três estágios:

  • Extração: um container Docker com certificados mTLS puxa extratos de três bancos via API
  • Classificação: cada lançamento passa por um motor de regras determinísticas + LLM para categorização contábil
  • Conciliação: o resultado bate contra o razão do ERP via consulta SQL direta

Tudo roda num cronjob diário às 7h. O resultado chega no meu Telegram com um resumo e uma lista de divergências — se houver.

O resultado

Em 90 dias, o fechamento caiu de 12 para 3 dias úteis. Mas o número que mais me interessa é outro: zero lançamentos digitados manualmente.

O tempo que o time ganhou não virou ócio — virou análise. Agora eles investigam por que uma conta divergiu em vez de se divergiu.

O que aprendi

Empresa tradicional não é avessa à tecnologia — é mal instrumentada. As pessoas querem trabalhar melhor. Só não têm as ferramentas.

E a melhor ferramenta que eu já entreguei para o meu time não foi um dashboard bonito. Foi um script que roda sozinho às 7h da manhã e entrega o trabalho pronto antes mesmo de eles chegarem.